Jerico com chassis de Jeep Willys ganhou cambio e suspensão Uma, duas, três, quatro voltas na manivela e o motor Agrale a diesel, de um cilindro, pega rugindo com um som grosso e compassado de suas entranhas. Testamos um jerico em versão "urbana": seu chassis de Jeep Willys ganhou cambio e suspensão dianteira independente de Chevette.
Com o arranjo de polias para casar o motor estacionário com a caixa de marchas, todas as relações de transmissão ficam curtíssimas. Primeira marcha e o jeriquinho dá um pulo já pedindo segunda. E, numa sucessão rápida, já podemos engatar terceira e quarta.
Sem instrumentos, calculamos estar a uns 30km/h, velocidade de cruzeiro recomendada para esses carros. Se o chão é liso, vai que é uma beleza - pela batida do motor (PAC! PAC! PAC! PAC!) quase podemos contar suas rotações.
O cano de descarga fica lá na frente, na altura do peito do carona, o que é bem desagradável em baixa velocidade. Mas é só o jerico deslanchar que a fumaça se afasta naturalmente. Quer manobrar numa subidinha? Vá na marca que quiser que sobra força. O banco de madeira (forrado com papelão) é fixo, e o proprietário pelo visto era baixinho: é preciso contorcionismo para acionar o pedal do freio.
Para os jeriqueiros da velha-guarda, freios eram uma preocupação menor: na falta destes, bastava reduzir até parar.
Se há barro e poças no caminho, é difícil sair limpo do passeio. Agradecemos o luxo dos pára-lamas de madeira. O jerico que dirigimos não tinha retrovisores, o que incomoda um bocado - mas em Alto Paraíso o trânsito é escasso.
Em resumo, dirigir o carrinho é fácil como guiar um velho Jeep, só que as velocidades são menores, assim como o conforto. Fim do passeio - mas com desligar o motor num carro sem chave? Puxa-se um cabo para fechar a borboleta de admissão, estrangulando a passagem de ar para o motor. Simples assim, sem frescura.
Texto: Jason Vogel - Jornal O Globo Caderno CarroETC, Rio de Janeiro, 2007
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